Cosplay do Jaspion 1º lugar em 2002

Cosplay do Jaspion 1º lugar em 2002



Cosplay do Jaspion: como Irlayne Silveira venceu a AnimeCon 2002 e virou lenda do tokusatsu no Brasil

Irlayne Silveira venceu a AnimeCon 2002 com sua armadura caseira do Jaspion, feita sem molde profissional, e esse título abriu espaço para o cosplay de tokusatsu ganhar eventos por todo o Brasil.

Última atualização: julho de 2026 — conteúdo revisado com informações confirmadas diretamente com o cosplayer.

Cosplay do Jaspion feito por Irlayne Silveira, 1º lugar na AnimeCon 2002
Cosplay do Jaspion — 1º lugar na AnimeCon 2002

O dia em que um herói japonês pouco conhecido venceu os favoritos do público

Em 2002, quem dominava os concursos de cosplay no Brasil eram os animes. Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, qualquer coisa da Toei tinha fila garantida de fãs vestidos igual. Um tokusatsu, gênero que boa parte da plateia nem sabia pronunciar direito, não era exatamente aposta segura. Irlayne Silveira entrou no palco da AnimeCon com uma armadura do Jaspion montada praticamente na tentativa e erro — e saiu com o primeiro lugar.

Na prática, esse resultado incomodou. Não porque o traje fosse ruim — pelo contrário — mas porque quebrou uma regra não escrita: tokusatsu era coisa de nicho, cosplay de anime era o que “valia” nos eventos grandes. Um detalhe importante que costuma passar batido nas versões dessa história é que a resistência não veio dos organizadores, veio do próprio público otaku, que via aquele universo como distante do que consideravam “cultura pop japonesa de verdade”.

Quem é Irlayne Silveira

Irlayne Silveira usando o traje autoral Danzaiver, premiado em concursos posteriores
Irlayne Silveira como Danzaiver, outro traje autoral premiado

Detalhe da armadura do Jaspion feita por Irlayne Silveira

Irlayne é formado em Artes pela UniFoA e hoje dá aulas de mangá na On Byte. Depois do Jaspion, ele não parou: construiu outros trajes sempre puxando para tokusatsu e games, com destaque para o Danzaiver, que também rendeu prêmios em concursos posteriores. O projeto mais ambicioso dele, porém, saiu do palco: um canal no YouTube com mais de 16 mil inscritos, onde publica as séries autorais Cyberbio e Robô de Resgate Xd.

Diferente do que muitos sites de curiosidades dizem por aí, Irlayne não “abandonou” o cosplay depois do título — ele só migrou parte da energia criativa para produção audiovisual, o que, olhando de fora, faz sentido: quem monta armadura sozinho já está resolvendo problema de estrutura, proporção e narrativa visual o tempo todo.

Como o tokusatsu chegou aos palcos de cosplay brasileiros

Para entender por que 2002 foi um marco, vale voltar um pouco no tempo. O cosplay como prática organizada nasceu nos Estados Unidos nos anos 1970, em convenções onde a entrada era gratuita para quem fosse fantasiado de personagem. A ideia atravessou o Pacífico, ganhou força no Japão — o Comiket virou a vitrine mais famosa — e só chegou ao Brasil de forma mais consistente nos anos 1980 e 1990.

Do underground de Jornada nas Estrelas ao boom de Cavaleiros do Zodíaco

Nos anos 80, já existiam fãs brasileiros de Jornada nas Estrelas se fantasiando de seus personagens favoritos, mas o termo “cosplay” simplesmente não circulava por aqui ainda. Foi só na década de 90, com a popularidade de Cavaleiros do Zodíaco, que os eventos com essa proposta começaram a se firmar no calendário otaku nacional.

É comum encontrar artigos apontando o Cosplay Brasil como pioneiro dos eventos do gênero em 2002. O que percebemos pesquisando o histórico é que essa versão simplifica demais: a antiga ABRADEMI já promovia encontros do tipo bem antes disso, e foi a AnimeCon que, na sequência, deu escala nacional ao movimento.

Os primeiros cosplayers de tokusatsu no Brasil

Foi justamente nos eventos da ABRADEMI, em São Paulo, que surgiram os primeiros cosplays de tokusatsu do país, trazendo à cena personagens como Kamen Rider e Ultraman. Essa entrada não foi tranquila: o público otaku, majoritariamente fiel aos animes, tratava esse universo com desconfiança — quase como se tokusatsu fosse um “primo distante” que não se encaixava direito na festa.

O efeito cascata: o que mudou depois de 2002

Aqui existe um problema que raramente é discutido nesses relatos: um único título de concurso não muda cultura de fã sozinho — o que muda é a repetição. O que aconteceu depois da vitória de Irlayne foi justamente isso: outros cosplayers de tokusatsu passaram a se sentir mais confortáveis em subir ao palco, e gradualmente esse gênero deixou de ser exceção nos concursos.

Hoje, quem organiza a cena de maior visibilidade no país é a Yamato, através do Anime Friends, que seleciona os melhores cosplays — de qualquer gênero — para representar o Brasil em disputas internacionais. É um cenário bem diferente daquele de 2002, quando um traje de tokusatsu feito artesanalmente ainda era motivo de estranhamento.

Outro nome que marcou a época: Raion e o Aldebaran de Touro

Raion Aldebaras de touro cosplay
Raion Aldebaras de touro cosplay

Vale registrar um contexto paralelo, porque ajuda a entender o clima da época: em 2001, um ano antes do título de Irlayne, Marcelo — mais conhecido como Raion entre os otakus — venceu a categoria individual da AnimeCon com o cosplay de Aldebaran de Touro, de Cavaleiros do Zodíaco. Ele hoje vive em São Paulo e já concedeu entrevistas contando bastidores dessa fase inicial dos concursos.

AnoMarcoPor que importa
Anos 1980Fãs de Jornada nas Estrelas se fantasiam sem o termo “cosplay” ainda existir no BrasilRaiz cultural do hábito antes da formalização do movimento
Anos 1990Cavaleiros do Zodíaco populariza os primeiros eventos oficiais de cosplayCosplay de anime vira o padrão dominante nos concursos
2001Raion vence com Aldebaran de Touro na AnimeConConfirma o domínio dos animes nos concursos da época
2002Irlayne Silveira vence com o Jaspion na AnimeConPrimeira grande vitória de um cosplay tokusatsu, abrindo espaço para o gênero
AtualidadeAnime Friends (Yamato) seleciona cosplays para disputas internacionaisTokusatsu já convive normalmente com outros gêneros nos palcos

Veredito do especialista

Para quem essa história vale a pena conhecer

  • Cosplayers iniciantes de tokusatsu que querem referência de que o gênero tem espaço e tradição no Brasil
  • Quem pesquisa a história do cosplay nacional e busca fontes além do “senso comum” repetido em blogs
  • Fãs de Jaspion e do universo Metal Hero que querem contexto sobre a recepção da franquia no país

Para quem não é o conteúdo ideal

  • Quem procura tutorial técnico de construção de armadura — este artigo é histórico, não um passo a passo
  • Quem quer uma linha do tempo oficial e institucional; parte do relato aqui depende de memória de quem viveu a época, não de registro documental completo

Perguntas frequentes

Quem foi o primeiro cosplayer de tokusatsu no Brasil?

Os primeiros registros de cosplay de tokusatsu no país vêm dos eventos da ABRADEMI, em São Paulo, com personagens como Kamen Rider e Ultraman, antes mesmo da vitória de Irlayne Silveira em 2002.

Quando o cosplay do Jaspion venceu a AnimeCon?

A vitória aconteceu em 2002, na categoria em que Irlayne Silveira apresentou a armadura do Jaspion.

Quem organiza os maiores concursos de cosplay do Brasil hoje?

Atualmente, a Yamato, por meio do evento Anime Friends, concentra os concursos de maior visibilidade e seleciona representantes para disputas internacionais.

Irlayne Silveira ainda faz cosplay?

Sim, ele segue ativo na cena e hoje também produz conteúdo audiovisual autoral em seu canal no YouTube, além de lecionar mangá na On Byte.

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